AUTONOMIA FEMININA EM DEBATE: IMPLANTES HORMONAIS, GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA E OS LIMITES DA PREVENÇÃO NO CEARÁ

Autores

DOI:

https://doi.org/10.63835/yqvvpp08

Palavras-chave:

GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA , AUTONOMIA FEMININA, IMPLANTE CONTRACEPTIVO, BIOPOLÍTICA , SAÚDE REPRODUTIVA

Resumo

O artigo analisa criticamente a expansão do implante contraceptivo subdérmico (etonogestrel) nas políticas municipais do Ceará, especialmente em Eusébio, Caucaia e Fortaleza, examinando seus efeitos sobre a autonomia feminina na prevenção da gravidez na adolescência. A pesquisa, de natureza qualitativa, adota abordagem bibliográfica e documental, articulando literatura especializada, boletins epidemiológicos de HIV/aids (2024–2025), atos administrativos municipais e marcos internacionais de direitos humanos, como a Conferência do Cairo (1994), a Plataforma de Pequim (1995) e a Agenda 2030 (ODS 5). A hipótese sustenta que, embora a ampliação do acesso ao método represente avanço na garantia de direitos reprodutivos, sua centralização pode deslocar para adolescentes a responsabilização exclusiva pela prevenção da gravidez, sem enfrentar desigualdades estruturais de gênero e a persistência das ISTs. À luz da biopolítica foucaultiana e da crítica de Saffioti ao patriarcado, argumenta-se que a política pode operar simultaneamente como instrumento de autonomia e dispositivo de regulação dos corpos femininos. Conclui-se que a efetivação substantiva da autonomia exige integração entre contracepção, educação sexual baseada em evidências, prevenção combinada de ISTs e corresponsabilização masculina.

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Biografia do Autor

  • Vanessa Lopes Vasconcelos, IFCE

    Doutora em Direito Constitucional Público pela Universidade de Fortaleza - UNIFOR (2022). Bolsista FUNCAP 2018. Mestra em Ciências Jurídicas Internacionais pela Universidade de Lisboa - FDUL (2013). Especialização em Ciências Jurídico-Internacional pela Universidade de Lisboa - FDUL (2009). Especialização em Educação Profissional e Tecnologia pela Faculdade Venda Nova do Imigrante - FAVENI (2020). Graduada em Direito pela Universidade de Fortaleza (2008) e Mestrado em Ciências Jurídicas Internacionais pela Universidade de Lisboa (2013). Atualmente é Professora Efetiva de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), lotada no Campus Acopiara - Área de Direito. Membro do Grupo de Pesquisa Centelha - Centro de Estudos Políticos e Sociais. Advogada registrada na OAB/CE. Atua principalmente nos seguintes temas: Empreendedorismo Feminino, Ética nas relações de gênero, Direito à Educação e Gênero.

  • Francisco Damázio de Azevedo Segundo, IFCE

    Doutorando em Educação pela Universidade de São Paulo - USP (2021-atual), com Mestrado em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba - UFPB (2017). Sua formação acadêmica inclui ainda Licenciatura em Filosofia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA (2009) e Especialização em Ensino de Filosofia pela Universidade Cândido Mendes - UCAM (2013). No campo do Direito, é Bacharel pela Faculdade Luciano Feijão - FLF (2015) e Especialista em Direito e Processo do Trabalho pela Universidade Damásio de Jesus - UDJ (2016). No presente, exerce o cargo de Professor do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) de Filosofia no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará - IFCE. Desenvolve atividades de pesquisa como membro do grupo Discriminação, preconceito, estigma: minorias étnicas e religiosas, cultura e educação (USP) e do grupo Centelha - centro de estudos políticos e sociais. Possui registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/CE). Sua atuação profissional e acadêmica concentra-se nas áreas de Filosofia, Educação e Direito, com interesse particular nos seguintes temas: Ética, Antropologia Filosófica, Filosofia Política e Filosofia da Educação

  • Maria Luisa de Freitas Neves, IFCE

    Graduanda em Licenciatura em ciências biológicas pelo IFCE, bolsista FUNCAP - BPI

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Publicado

2026-03-26

Como Citar

Vasconcelos, V. L. ., Azevedo Segundo, F. D. de, & DE FREITAS NEVES, M. L. . (2026). AUTONOMIA FEMININA EM DEBATE: IMPLANTES HORMONAIS, GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA E OS LIMITES DA PREVENÇÃO NO CEARÁ. Revista Juris Verdi, 3(1 - Jan/Mar (1º trim), 98-118. https://doi.org/10.63835/yqvvpp08